Mundo underground


29/09/2005


Quem ganha e que perde com a eleição de Aldo Rebelo

Ganham: Lula, Jaques Wagner, Dilma Rousseff, Paulo Bernardo, Antonio Palocci, Renan Calheiros, José Sarney, Eduardo Campos, partidos nanicos governistas (PC do B à frente), PMDB governista, ala pragmática do PT.

Perdem: O severinismo, partidos de oposição (PFL, PSDB e ala tucana do PMDB), partidos nanicos de oposição (PV, PPS etc.), ala anti-Aldo do PT (José Dirceu, JOão Paulo Cunha e outros), Michel Temer, Jorge Bornhausen, José Carlos Aleluia, Alberto Goldman, Tasso Jereissati, Arthur Virgílio, Roberto Freire, Fernando Gabeira, ACM, José Serra, Geraldo Alckmin, FHC, Garotinho, César Maia

Na mesma: partidos intermediários (PP, PTB e PL).

Retirado do Blog http://uolpolitica.blog.uol.com.br/index.html (F.Rodrigues)

Escrito por Denis Wesley às 10h09
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Vitória de Aldo alavanca possível virada para Lula

    A expressiva vitória política de Aldo Rebelo para presidente da Câmara deve representar uma possível virada favorável para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Embora o placar tenha sido apertado (258 votos a favor do governista contra 243 do candidato da oposição, José Thomaz Nonô, do PFL de Alagoas), o que importa para o Planalto é ter levado para dentro da seara lulista o terceiro cargo mais importante da hierarquia da República.

Com a posse Aldo, a crise do mensalão tende a arrefecer. O governo Lula poderá respirar um pouco mais aliviado. Foram mais de quatro meses de intenso bombardeio, com espaço para muitos pontos fora da curva –como foi o caso do mensalinho-Severino Cavalcanti. Antes de Severino, é bom lembrar, a coisa já estava esfriando.

A responsabilidade maior pela eleição do deputado do PC do B é sobretudo de Lula e de um grupo político de fora do PT (na nota abaixo, uma lista de vencedores e perdedores). Nunca o governo petista de Lula teve um Congresso tão afinado.

Nos dois primeiros anos do mandato de Lula, os presidentes do Senado e da Câmara (José Sarney e João Paulo Cunha) se davam bem entre si, é verdade. Mas João Paulo sempre esteve em litígio com uma ala do PT porque era pré-candidato a governador de São Paulo. Às vezes, sobravam faíscas para o Palácio do Planalto. Era comum Lula reclamar do comportamento do presidente da Câmara. Agora, tudo mudou.

A eleição de Aldo Rebelo pode também ser creditada ao atual presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Aldo e Renan foram, em 2004, os artífices da derrubada da emenda da reeleição que permitiria a permanência de Sarney e de João Paulo nos comandos das duas Casas do Congresso. Renan tem sido fiel a Lula. Aldo, então, nem se fala. O cenário é muito favorável para o Palácio do Planalto no Congresso.

Nunca se deve esquecer, entretanto, como se deu a eleição de Aldo. Tratou-se de uma inflexão na forma de atual de Lula. A presença do deputado comunista no comando da Câmara foi resultado direto da intenção do presidente da República de ajudá-lo. O Planalto sempre opera no Congresso, é verdade. Desta vez, entretanto, passou-se um rolo compressor com gosto, distribuindo-se e prometendo-se verbas do Orçamento. Prometendo-se cargos em estatais e até ministérios. A fisiologia triunfou –mas é necessário sempre lembrar que esse método foi largamente utilizado em governos anteriores. Em 1997, houve a inesquecível compra de votos a favor da emenda da reeleição para favorecer FHC.

Homem afável e de idéias às vezes exóticas (banir palavras estrangeiras e criar o dia do saci, por exemplo), Aldo Rebelo certamente terá um comportamento para lá de favorável ao governo Lula. Alguém no planeta Terra lembra-se de alguma divergência pública de relevância de Aldo com o Palácio do Planalto? Nem quando foi fritado em óleo fervendo pelo PT durante sua passagem pelo governo o deputado do PC do B gritava. Ficou sempre em silêncio obsequioso, ciente de que seu poder emanava diretamente de Lula. Estava certíssimo. É um político experiente que sabe sobreviver na adversidade como poucos dentro do Congresso.

Para resumir, o foco da mídia agora retornará para o mensalão. São 16 deputados ainda ameaçados de cassação (da lista de 18, dois já se foram). O processo será longo, mas tende a isolar Lula. Em 1994, a CPI do Orçamento também listou 18 cassáveis em janeiro daquele ano. O plenário da Câmara votou o último caso em 31 de agosto, às vésperas da eleição que colocou FHC no Planalto –sendo o tucano, à época, o candidato chapa-branca. Naquele período, o governo fingia que não tinha nada a ver como caso e o eleitorado brasileiro comprou essa versão com a maior facilidade.

O cenário possível daqui para frente, salvo o aparecimento de grandes bombas e pontos fora da curva:

- cassações – o Congresso se concentra na cassação (ou não) dos 16 deputados listados pelas CPIs. A metade (ou quase isso) se salva nos próximos meses
- CPIs – as investigações se envolvem com dezenas de depoimentos incompreensíveis e mal conectados. Fica sem esclarecimento a origem do dinheiro do valerioduto, exceto por um outro caso.
- Lula se recupera – o Natal chega com a economia bombando, o PIB crescendo na redondeza dos 4% (depois dos quase 5% de 2004). Lula melhora sua popularidade.
- 2006 – o ano começa com o presidente mais estável, candidato à reeleição e a oposição meio perdida sem saber como deixou escapar a chance de viabilizar um candidato para derrotar Lula em outubro.
Retirado do blog:http://uolpolitica.blog.uol.com.br/index.html (Fernando Rodrigues)

Escrito por Denis Wesley às 10h01
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